Mais de 80% dos utentes com mais de 45 anos têm pelo menos uma doença crónica
Mais de 80% dos utentes dos cuidados de saúde primários com 45 anos ou mais tem pelo menos uma doença crónica e mais de metade tem várias, refere um estudo hoje divulgado.
De acordo com o PaRIS (Patient Reported Indicators Surveys), o maior inquérito internacional aplicado a utilizadores de serviços de saúde, hoje apresentado em Lisboa, entre as pessoas que vivem com doença crónica, 62% dizem ter duas ou mais doenças crónicas e 31% três ou mais.
As doenças crónicas mais reportadas pelos utentes que participaram no estudo são hipertensão arterial (42%), seguida de artrose ou dores persistentes nas costas ou articulações (32%).
Os dados indicam ainda que os problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade ou outros, são a terceira situação crónica mais reportada (22%).
Mais de 10% dos utentes também reportam diabetes (tipo 1 ou 2), problemas cardiovasculares ou cardíacos e problemas respiratórios, como asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).
Na amostra nacional do estudo PaRIS, a proporção de pessoas que referem ter uma ou mais doenças crónicas é mais baixa na região Norte (80%), em comparação com as restantes regiões (83% ou mais). Contudo, entre os doentes crónicos, a proporção de pessoas com multimorbilidade é mais elevada em Lisboa e Vale do Tejo (64%) e mais baixa no Alentejo (58%)
Tal como a nível nacional, a hipertensão arterial é a doença crónica mais frequente em todas as regiões de saúde, seguida da artrose ou dores nas costas ou articulações e dos problemas de saúde mental (depressão, ansiedade ou outro).
Os problemas cardiovasculares ou cardíacos são mais frequentemente reportados do que a diabetes (tipo 1 ou 2) em três das cinco regiões -- Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.
Por tipo de unidade de Cuidados de Saúde Primários (CSP), a proporção de pessoas que dizem ter uma ou mais doenças crónicas é de 83% nas Unidades de Cuidados de Saúde Primários (UCSP), 83% nas Unidades de Saúde Familiares (USF) modelo A, com menor autonomia e incentivos financeiros, e 81% nas USF modelo B, que oferecem maior remuneração, funcionam por contratualização de objetivos e têm maior responsabilização pela saúde dos utentes.
O PaRIS, que contou com a participação de 19 países, é coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e, em Portugal, pela Direção-Geral da Saúde.